Quando questionado sobre a eternidade, o pescador afirmou que ela era o sol se desmanchando no mar. Na infância da minha memória existe uma tela em branco e um barco se formando. Em frente a tela, uma janela para o mundo. Eu sempre soube que assim que as cores chegassem eu estaria naquele barco a caminho da vida. No fundo do mar, agora fito a superfície, observo os contornos reluzentes de um sol que chegou sem anúncio. O pescador tinha razão, a eternidade acontece no encontro de duas cores. O sol derrete no horizonte. O azul se dissipa e a água toma um tom alaranjado. Pouco a pouco me aproximo da vida. Eu sou de faz de conta. Fantasia pura. Não conheço a vida fora da água, mas inspiro. O sol vai me ensinar o ar.

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